Fui despertada hoje às sete e pouquinho por uma ânsia de vômito tão forte que só tive tempo de me virar e pensar que teria que limpar tudo depois (eca!), mas deu tempo de ir ao banheiro e o vômito foi fraquinho. Acredito que tenha sido a terceira vez que vomitei em minha vida, não me lembro da primeira, mas da segunda sim, e teve a ver com ingestão de bebidas, um pouquinho exagerada, há uns dois séculos atrás.
Depois de tanto tempo sem povoar o Luas Cruas, começo esse texto com esse assunto porque só me ocorre o trivial, o miúdo, já que meu ser está imerso em transformações gigantescas e minha inspiração está voltada para o meu novo romance, que escrevo e escrevo e escrevo sempre, e, como tenho o costume de ler ao deitar, peguei uma biografia do Henry Miller e concordo, com alguma coragem, quando ele diz que é preciso apenas escrever e não fazer mais nada da vida.
Também encontrei um recorte de jornal, da minha pilha, um texto da Susan Sontag sobre o ato de escrever, e quero publicar aqui, pois concordei, com alguma coragem, quando ela disse que escrever é ser fiel a um mundo.
Gostaria também de fazer uma pausa nesse romance, que extrai o melhor de mim, e o pior também, para contar como é conhecer-se de fato, e o quanto é doloroso, mas isso fica pra depois, pois não é miúdo.
Que já não tenho uma fixação melancólica pelo passado, em que os momentos mais doloridos foram idealizados, e que estou rompendo com tantas coisas que parece existir uma faca afiada conduzindo todos os meus atos.
Ontem à tardinha o chuveiro pifou, e num momento de masoquismo tão inexplicável quanto meu vômito, tentei tomar banho gelado, e foi um banho de gato, fiquei um tempão com falta de ar, roxinha, mas não se preocupem, deu pra lavar o que mais importa.
Aliás, meu vômito não foi inexplicável:
ACHO QUE VOMITEI TUDO AQUILO QUE EU NÃO ERA.
Luas Cruas
Escrevo sobre o que observo, o que toco, o que me assusta e me encanta, como forma de ser no mundo. Minhas palavras, ao tentar encontrar as respostas, aumentam o tamanho das perguntas.
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Uma linda poesia!
Queridos leitores:
Como estou concentrada nessa titânica tarefa de rever os meus escritos e aproveitando para fazer uma faxina nas toneladas de papéis que acumulei durante todos esses anos, encontrei uma poesia linda, mas infelizmente não me lembro quem escreveu. Se alguém conhecer, por favor, me escreva dizendo qual é o (a) autor(a).
Um beijo a todos(as).
Como estou concentrada nessa titânica tarefa de rever os meus escritos e aproveitando para fazer uma faxina nas toneladas de papéis que acumulei durante todos esses anos, encontrei uma poesia linda, mas infelizmente não me lembro quem escreveu. Se alguém conhecer, por favor, me escreva dizendo qual é o (a) autor(a).
Um beijo a todos(as).
Ciclo vicioso
Chora a árvore, de lado
Com inveja da intensidade do rio.
Chora a província no chafariz
Sem lavar as marcas do frio
Na santa pia da igreja matriz.
Chora paris triunfal
Ocultando dos fotógrafos
Os desfiles dos cães de Hitler.
Choram os trens de carga
Levando para pasárgada
A teimosa esperança de Manuel.
Choram os aviões no céu
As vacas ditas loucas nos currais
As roupas desbotadas nos varais.
Choram os peixes no Pantanal
Exaustos de engolir iscas falsas
Chora a criança que nasce
Sugando do peito o leite da futilidade.
Choram as meninas sem namorados
E choram os meninos que temem namorar.
Chora quem é xingada de prostituta
Por vender na esquina o que é seu
E não chora quem a julga do palácio
Perfumada de cinismo em sua alma puta.
Chora quem vê o amor partindo
Sem pedir que fique um pouco mais
Sem saber correr atrás.
Chora o poeta de mão fechada
Que vestiu de caretices
A arrogância da sua rima informal
Chora o homem desanimado
Que sangra mais um desemprego
Antes mesmo de abrir o jornal.
Chora o mundo outra vez
Cego para a cor da manhã
Repetindo idênticos atos
Estagnado nos velhos teatros
Imutável no palco dos hábitos.
domingo, 24 de julho de 2011
Mais uma do "fundo do baú"
Encontrei mais uma redação escrita em 1993. Dessa vez, a nossa professora nos pediu para escrever uma carta à Mário de Andrade, que, provavelmente, conhecemos por meio de alguma leitura... Lembrei-me agora de que foi a leitura do conto O peru de Natal.
Eis o que eu tinha pra dizer ao Mário de Andrade quando eu tinha 13 anos:
Eis o que eu tinha pra dizer ao Mário de Andrade quando eu tinha 13 anos:
São Paulo, 15 de agosto de 1993
Bianca Alves Costa 7ºB nº 14
Carta à Mário de Andrade:
Estou lhe escrevendo porque o acho uma pessoa especial e que significou muito para nós.
O senhor possui um caráter limpo e exemplar, pois uma pessoa que se deixa passar por louco para defender seus próprios ideiais, não merece apenas algumas palavras de elogio, e sim o título de um verdadeiro cidadão brasileiro.
Abrindo caminho para a evolução da arte, o senhor foi quem abriu os olhos daqueles que acreditavam apenas em coisas pequenas. Colocou um pouco de tempero nas poesias, deu uma pincelada de criatividade na cabeça dos pintores e fez com que a história da arte passasse por cima dos pensamentos conservadores que a aprisionavam e a conservavam em um meio que não combinava com ela.
Atualmente, o que o senhor conseguiu não foi só o seu retrato na nota de quinhentos, mas sim estar presente na memória das pessoas somo um mestre, que venceu os preconceitos e renovou a nossa arte.
De sua amiga,
Bianca.
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Uma raridade!
Queridos leitores:
Estou, em meu recesso, organizando meus escritos, e eis que encontro uma redação, de 1993, que reproduzo aqui, sendo o esboço, talvez, da minha vocação literária. Lembro que, naquela época, meus professores sempre me incentivaram a escrever. Olhem que redação inocente:
Estou, em meu recesso, organizando meus escritos, e eis que encontro uma redação, de 1993, que reproduzo aqui, sendo o esboço, talvez, da minha vocação literária. Lembro que, naquela época, meus professores sempre me incentivaram a escrever. Olhem que redação inocente:
Bianca Alves Costa 7ºB nº 14
São Paulo, 3 de junho de 1.993
Balão, foguetes, quentão: Alegria ou tragédia?
Era dia 24 de junho. O famoso dia de São João, e todos da vila, como sempre, comemoraram. Havia fogueiras, quentões, pinhão, pipoca, quadrilhas, etc.
Seu Osmar, de tanto beber quentão, ficou bêbado e acabou brigando com a mulher. Um menino pequeno, Fabrício, soltou uma bombinha que acabou caindo em seu pé.
A meninada que lá estava resolveu soltar um lindo balão. Este caiu em um terreno baldio, provocando fogo, que logo foi controlado pelos homens que lá perto estavam.
Mariana iria soltar rojão pela primeira vez, acendeu o rojão do lado contrário, queimando brutalmente sua mão. Esta festa, que tinha tudo para ser colorida, acabou com gemidos de dor.
Mas, do outro lado da Vila, havia outra festa, onde havia alegria do começo ao fim. Não soltaram balões nem foguetes, e por lá não fizeram quentões, pois a mesma experiência que a outra tivera, eles tiveram ano passado.
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Resultado de um belo exercício
Queridos leitores:
Em maio e junho, desenvolvi, com minha querida amiga Fernanda Procópio, uma Oficina chamada Fotocidade e Leituras do Urbano. Pra encurtar o "causo", o resultado desta Oficina foi a produção de um texto, por parte dos alunos, a partir de uma fotografia realizada por outro participante. Como um dos participantes não conseguiu elaborar o texto a tempo, felizmente, uma das fotografias sobrou pra mim. Vejam o resultado abaixo:
Foto de Letícia
Texto de Bianca Luna:
Em maio e junho, desenvolvi, com minha querida amiga Fernanda Procópio, uma Oficina chamada Fotocidade e Leituras do Urbano. Pra encurtar o "causo", o resultado desta Oficina foi a produção de um texto, por parte dos alunos, a partir de uma fotografia realizada por outro participante. Como um dos participantes não conseguiu elaborar o texto a tempo, felizmente, uma das fotografias sobrou pra mim. Vejam o resultado abaixo:
Foto de Letícia
Texto de Bianca Luna:
O lampejo de um olhar
O pedaço fresco de uma cena bucólica luta contra o concreto e seus prédios imponentes e pontudos apontando destemidamente para os céus.
Esses prédios também lutam entre si pelo domínio do nosso olhar, porque não são harmônicos, não são belos, talvez por terem sido projetados com o ímpeto de empreendedores dotados de ambições colossais (lucro?), talvez por terem sido erguidos com o esforço quase sangrento de trabalhadores que foram (quase?) escravizados.
Este cenário recortado de uma realidade bruta nos mostra que a lei interna desta cidade é a contradição: entre o verde e o desalento, entre a fome e a forma enfática de suas construções, entre o choro mudo de quem não vê, de quem não contempla, de quem não passeia, de quem não absorve, e a pressa sem sentido dos que têm a cidade à sua disposição, e, no entanto, só atribuem sentido para o que pode ser transformado em produto.
E se olharmos para este cenário atentamente, veremos nuances. Afinal, quantas coisas preciosas um céu azul e limpo promete? Quantos oásis podem residir em qualquer planta ou árvore ou flor que, teimosamente, insiste em sobreviver? Quantos segredos são revelados quando um ângulo inusitado se desmancha diante dos nossos olhos, prometendo começos?
Nenhuma fatalidade pode resistir à grandeza humana que nos faz transformar o absurdo em arte, a ao olhar de uma fotógrafa que nos devolve o possível.
terça-feira, 12 de julho de 2011
Cidadão brasileiro
.Apresento, com muito orgulho, uma excelente poesia de um aluno meu:
Cidadão brasileiro
A sociedade brasileira
É muito falha
Desde padrões de beleza
A preconceitos e racismos
Onde já se viu?
Tanta corrupção
Colocar tanto dinheiro
Em meio às roupas?
Políticos corrompem políticos
Cidadão vê e nada faz
Onde já se viu?
Tanta pobreza
Tanta miséria
Tanta favela
Cidadão vê e nada faz
Onde já se viu?
Tanta pedofilia
Tanta gente morrendo
Tanta violência
Tantos desastres e acidentes
Cidadão vê e nada faz
O cidadão vê tudo
E fica de braços cruzados
O cidadão é escravo da imprensa
Submete-se a absurdos políticos
E absurdos sobre assassinos
Submete-se a um caso
De uma menina pobre
Que, como mais um inocente,
Morre sem motivo
Cidadão briga com cidadão
Por causa de uma eleição
Não vê quem elege
Por isso o Brasil
Não vai pra frente
Você que lê esse poema
Se quiser fazer algo...
Faça!
Mas faça logo
Pois o nosso erro de agora
Será a nossa destruição de amanhã
Lucas Yan, aluno da EE Padre Manuel da Nóbrega, 2º ano do Ensino Médio
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Amnésia venenosa
Você não se lembra de acordar às 4 da manhã, e se pegar o ônibus às 5, não estará tão cheio
Não se lembra de se entregar a um beijo, assim que o sol se põe
Não se lembra de vestir-se de rosa chock, só pra chocar
E nem de pintar seu cabelo de vermelho sangue, só porque acha bonito
Não se lembra de dizer a verdade assim que alguma mentira cheia de poeira rouba o seu sorriso
E deve lembra-se, precisa lembrar-se, que a verdade não é uma causa, e nem uma bandeira, e sim o único modo de tornar tudo possível.
Você não se lembra que sentia-se feliz e plena quando brincava de amarelinha
Que muitas lembranças são nebulosas e duras porque o tempo as enrijeceu
Que não é bonito sentir-se feia
Que quando faz algo bem feito, o mundo acena, procriando possibilidades
Que sua alma já foi delicada demais e que ela ainda luta, mas também festeja
Que festejar é um modo precioso de adoçar a rotina
E que você se define, se modifica, se expande, quando apreende com todo o seu ser que há um começo na liberdade de ser quem você quer ser.
Enquanto é.
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